Chernobyl

Chernobyl fez barulho por vários motivos. Um deles foi ter entrado no IMDb com a maior nota entre as séries. Ela estava sendo tão comentada ultimamente que decidi assistir.

É uma minissérie de 5 episódios intensos. Apesar de gostar muito de maratonar séries (é mais forte que eu e não consigo parar de ver os episódios quando o seriado é envolvente), Chernobyl é intenso demais para ser visto numa tacada só. Prepare-se porque é forte.

A série mostra e explica como foi a explosão, mostra a reação das pessoas, as medidas tomadas para impedir que o acidente tomasse proporções maiores, os sacrifícios que as pessoas tiveram de fazer, algumas pessoas que deram a vida por um bem maior, como as pessoas morrem, incluindo as fases e sintomas (muito chocante essa parte), mas acima de tudo, mostra como as mentiras contadas e informações omitidas podem destruir as pessoas.

É complexo entender tudo. Quando terminei de ver todos os episódios, queria sentar e escrever, mas acabei decidindo rever os episódios 1, 2 e 5 porque depois de assistir uma vez, você está mais familiarizado com os personagens e dá para entender melhor o começo da série e prestar mais atenção nas explicações do quinto episódio para conseguir compreender como o núcleo explodiu.

É desesperador ver as pessoas querendo assistir ao incêndio mais de perto, ver os envolvidos negando a si mesmos que o acidente não era tão grave, ver os trabalhadores que se sacrificaram. Dá raiva ver o tanto que demoram para tomar as decisões e escutar as pessoas, ver como querem esconder do mundo o que estava acontecendo. É difícil ver as pessoas morrendo, deixando suas casas, seus animais de estimação.

Para mim, a parte mais reflexiva da série é pensar nas mentiras contadas para que a visão sobre a União Soviética fosse a de poder. Foi impossível não pensar em outros desastres e não fazer paralelos. Em um momento, perguntam porque usaram grafite para as hastes e o professor responde que é porque é mais barato; como não lembrar das barragens aqui em Minas Gerais que foram escolhidas porque eram mais baratas. Após descobrirem como o núcleo explodiu, recomendaram que uma falha fosse corrigida nos outros reatores e nada foi feito, como com as barragens aqui no Brasil, só que não houve um novo acidente nuclear, aqui houve um novo rompimento de barragem. A questão é que havia uma falha que já tinha sido detectada e poderia ser que nunca causasse problemas, afinal, a explosão foi causada por uma série de fatores, e as pessoas só torcem para que nada aconteça. Quantas gambiarras não são feitas e nada acontece? Quantas pessoas não contam com a sorte para que as coisas não deem erradas?

É muito forte essa questão das mentiras que contamos porque não gostamos da verdade e a repetimos até que se tornem a verdade, mas só nos enganamos, porque a verdade ainda está lá. Somos contra a corrupção, mas esquecemos que o “jeitinho brasileiro” é um nome mais bonito para a corrupção que praticamos no dia a dia, para as mentiras que contamos. Sim, fui longe, mas tudo isso realmente passou na minha mente enquanto estava terminando a série. Porque no fim, ela é sobre isso, não é mesmo? Sobre como as omissões, mentiras, ganância, imprudência ajudaram a causar o acidente. Ela é principalmente sobre o custo da mentira e o preço que a verdade vem cobrar um dia e, às vezes, o é alto demais, mais do que poderíamos (ou gostaríamos de) imaginar.

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