Três anos do fim do sabático

Nesta semana, o post vai sair com um dia de antecedência porque hoje faz três anos que voltei do meu ano sabático. Não sei até quando vou continuar contando os anos, mas foi um marco importante na minha vida e quero escrever mais ou menos no estilo do ano passado, só vou trocar a ordem dos tópicos. Então, vamos lá!

Sobre trabalho.

Nesses três anos, fui contratada por uma editora, fui demitida e fui contratada por outra empresa. Já falei em outros posts sobre o meu trabalho anterior, então vou focar no atual, mesmo porque acho que ainda não comentei sobre ele por aqui.

Estou trabalhando numa empresa chamada Skeelo. É um aplicativo (na verdade três aplicativos por enquanto) de ebooks, audiobooks e minibooks. A Skeelo tem parceria com várias empresas, então, você se cadastra nos aplicativos e vê se seu plano de celular ou algo que você assina inclui a Skeelo. E daí, você passa a receber um livro por mês. Se você gosta de ler ou ouvir livros no celular, vale a pena checar se tem direito a livros e dar uma olhada no catálogo, tem umas coisas bem legais (aproveitando pra fazer uma propaganda).

Estou trabalhando como revisora. É diferente dos meus outros trabalhos CLT, quando trabalhei como editora-assistente. Tenho menos responsabilidades e faço um trabalho mais técnico. Estou gostando até agora, principalmente por ser na área digital, que é para onde quero direcionar minha carreira profissional (pelo menos por enquanto. Já me conformei com a ideia de que talvez eu nunca descubra realmente o que quero fazer e vou deixando a vida me levar) e também por ser home office, o que vai me permitir ser um pouco nômade digital quando o mundo estiver mais tranquilo para voltar a viajar.

Além de estar trabalhando na Skeelo, estou fazendo uma pós-graduação em Produção Editorial Digital na LabPub (parece que estou direcionando bem conscientemente dessa vez, né? Vamos ver no que vai dar) e estou em dois podcasts: revisando os episódios de um podcast de entrevistas chamado Uma Estrangeira, e ajudando a produzir um podcast chamado Batendo Prova, que é sobre o mercado editorial. E continuo traduzindo de vez em quando umas matérias para o focolare.org.

Sobre o limbo.

Tive dois momentos de limbo nesses três anos e espero não voltar para lá tão cedo. Eu sei que o limbo é um momento bom para pensar na vida e agora que saí dos dois, vejo que serviram para me levar para um ponto diferente, mas odeio a sensação de estar parada e não saber o que vai acontecer, a sensação de impotência e desânimo, de estar deixando o tempo passar sem sair do lugar. Eu realmente ainda não aprendi a lidar com o limbo e são fases da minha vida que não aproveito bem e das quais não gosto. Ainda bem que foram períodos não tão longos (cada um durou menos de um ano), porém, quando estava neles, pareceram infinitos!

Sobre o mundo.

O mundo está num momento que com certeza vai ser estudado nas aulas de história futuramente. Tudo está uma loucura e não acho que vai acabar tão cedo. Tenho certeza de que as coisas não vão voltar ao “normal”, ou seja, como eram antes da pandemia (aproveito pra dizer que não gosto do termo “novo normal”). Parece que estamos numa distopia se penso não só na Covid-19, mas também no cenário político, econômico e ambiental. Tudo está errado e é difícil pensar no que fazer para mudar.

Sabe quando você assiste a filmes ou lê livros, não só de ficção, mas de momento históricos marcantes (tipo O Conto da Aia ou coisas sobre as Guerras Mundiais) e você fica pensando: mas como deixaram chegar a esse ponto? As pessoas não perceberam o que estava acontecendo? Sinto que agora sou uma personagem dessas histórias e que posso até estar percebendo o que está acontecendo, mas parece tudo tão surreal que fico parada, não sei como reagir. Não sei explicar direito, mas muitas coisas parecem tão absurdas que você acha que é uma fase e vai passar, que não tem como piorar, só que piora e quando você se dá conta, aconteceu. E é assim que o momento histórico se forma.

Sobre a vida.

No post do ano passado, parei neste tópico. Acho que fiquei com preguiça de escrever sobre a vida. Também estou com preguiça agora e, na verdade, não sei muito bem o que escrever neste tópico.

Quero que a pandemia passe. Quero que a situação no Brasil melhore e que as pessoas tenham o que comer. Quero que as pessoas não precisem cozinhar a lenha por falta de opção/dinheiro. Quero que as pessoas sejam mais empáticas e menos intolerantes, que voltem a dialogar. Quero voltar a reencontrar meus amigos com mais frequência. Quero poder viajar tranquilamente e aproveitar a flexibilidade do home office e a economia de estar morando com meus pais e passar algumas semanas em outras cidades. Quero ir comprando coisinhas para casa para que fique mais aconchegante. Eu deveria aprender a dirigir, mas confesso que é algo de que tenho preguiça. Preciso voltar a juntar dinheiro pensando no futuro. Preciso desenvolver mais hábitos saudáveis.

Não tenho planos para o futuro, talvez seja isso que torne difícil escrever sobre a vida. Por enquanto, vou continuar contando com a sorte que eu sempre tive de acabar fazendo coisas legais ao deixar a vida acontecer. De vez em quando, tenho a impressão de que a minha sorte vai acabar, de que a cota de coisas que dão certo para mim já chegou ao limite e que eu deveria começar a planejar melhor o futuro para contar menos com a sorte. Só que acabo nunca fazendo isso, porque, no fim, estou chegando à conclusão de que pode ser que não seja só sorte, mas uma construção, saber aproveitar as oportunidades que aparecem, correr atrás de algumas coisas, arriscar, dar a cara a tapa, ser gentil e viver de uma maneira leve. Deu certo até agora e espero que continue dando.

Não sei como terminar este post. Pensei que este ano eu estava mais esperançosa do que no ano passado, provavelmente porque parece que a pandemia está melhorando, já tomei vacina, e porque tenho um trabalho e posso organizar melhor a minha vida, pelo menos por enquanto. Mas daí, deixei este post parado e voltei para revisar (viu, estou cumprindo até agora o que me comprometi a fazer. E é ótimo escrever com antecedência, deixar o texto descansar e voltar para ele) e acho que não estou tão esperançosa com o mundo, considerando todas as coisas que estão acontecendo. O cenário não é nada bom. E só posso dizer que, apesar de todas as reclamações e coisas que quero para mim, estou numa posição privilegiada e tenho sorte por ter esta vida e pessoas incríveis ao meu redor.

2 comentários em “Três anos do fim do sabático

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