Normandia, 06 de outubro de 2018.

Olá!

Hoje acordei lá pelas 7h. Na verdade, acordei antes porque a galera aqui acorda muito cedo e já vai se visitar, então, acordei com o barulho das conversas, mas fiquei cochilando e levantei umas 7h e pouco. Tomamos café e fomos à casa de uma prima do Enoque que vai me ensinar a fazer panela de barro.

Antes de começar a fazer as panelas, ela me contou toda a tradição sobre essa arte que ia passando de mãe para filha. Tem todo um ritual, desde ir buscar o barro (elas andavam quatro horas subindo e descendo morro) até as regras de quem pode tocar no barro e fazer as panelas (por exemplo, quem acabou de ter filho não podia fazer panelas porque poderia prejudicar a criança).

É muito interessante ficar ouvindo todas essas histórias e tradições. Foi triste quando ela disse que hoje em dia os jovens têm vergonha dos seus antigos costumes: não querem mais ir trabalhar na roça, ou aprender a fazer as panelas de barro, ou aprender a língua materna. Por um lado, entendo isso… você vive no Brasil em meio a uma cultura diferente da sua e quer assimilá-la. Eu sou descendente de japoneses (terceira geração pelo lado do meu pai e quarta pelo lado da minha mãe) e quando era criança, não tinha o menor interesse em aprender japonês ou os costumes (e me arrependo muito disso hoje em dia); só queria brincar e ser como os meus amigos. Por outro lado, é triste ver tanta cultura se perder em tão pouco tempo.

Depois de ficar conversando, fomos colocar a mão na massa, literalmente. Ela começou pegando o barro, daí, comecei a fazer perguntas sobre a preparação do material e no fim, antes de fazer a panela, fizemos a massa. Elas buscam o barro (hoje em dia não caminham mais quatro horas, logo, pegam um barro de qualidade inferior e precisam fazer uma mistura para que fique um barro adequado. Também não são só as mulheres que fazem, os meninos também estão aprendendo e também ajudam a ir buscar o barro), deixam secar, moem (a parte mais difícil), peneiram e misturam água até virar barro. Daí, precisa ficar um tempo descansando antes de começar a modelar. O barro é guardado em sacolas plásticas para não ressecar.

Ela me entregou o barro já em formato de cilindro e foi me ensinando a abrir. Foi bem parecido com a aula que fiz em Vitória, mas o barro é diferente e comecei a fazer a panela mais do zero. Até que ficou bonitinha. Daí, deixei lá secando. Como já vou embora amanhã, não vai dar para terminar a panela porque ela precisa secar, daí é polida com uma pedra que pegam nos rios e só depois é queimada.

Quando terminamos tudo, estava na hora do almoço. Provei damurida, um prato típico daqui que é um cozido de alguma carne (o mais tradicional é usar peixe), pimenta e folhas de pimenta. É servido com farinha, beiju e arroz (ou você pode escolher só um desses acompanhamentos). Tinha de peixe e de galinha caipira. É bem gostoso. Não sei se é porque eu estava lá, mas não capricharam tanto na pimenta. Também tinha caxiri, uma bebida típica feita de mandioca.

Depois do almoço, voltamos para casa para descansar um pouco. Fiquei lendo na minha rede e no fim da tarde fomos para o Lago Raposa. Segundo a lenda, a comunidade se chama Raposa porque alguns índios saíram para caçar com uma raposa. Enquanto caçavam, ela sumiu e eles foram procurá-la. Daí, acharam o buraco onde ela entrou atrás de um tatu e foram andando atrás dos rastros. Caminharam muito até achá-la e ficaram com raiva por ela ter fugido. O lago é o buraco por onde ela entrou.

Vimos o pôr do sol lá e a água estava muito boa. Voltamos para casa e o jantar foi damurida de peixe de novo. Estava bem bom. Também tinha um peixe frito muito gostoso. Depois do jantar, continuei lendo até ficar com sono.

Ah, tenho que dizer que o céu aqui é lindo!! Dá pra ver muitas estrelas! Dá até vontade de dormir em um lugar descoberto para poder ficar olhando.

 

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