O Deserto e suas Emoções

Olá!

Hoje recebo no blog minha segunda convidada, a Talita, que escreveu sobre uma viagem que fez sozinha ao Chile! Aproveitem 😉

Quando resolvi fazer esta viagem sozinha, não era apenas para ir em busca de aventura, a busca maior era por mim mesma, pelo deserto de emoções internas que eu não conhecia e precisava entender. Tomar a decisão de embarcar para o desconhecido sozinha é algo mágico, é uma ligação direta com sua intuição, aquela que não fazemos no dia-a-dia, mas sabemos que existe.

E assim fui passar 15 dias longe de tudo e perto de mim mesma. A primeira paisagem era a conexão entre Santiago – Atacama. Como mudei de avião, fiquei umas três horas olhando as cordilheiras do aeroporto e, acredite, fiquei quase o tempo todo lá fora, olhando para elas e admirando, e, claro, soltando algumas lágrimas de emoção e não acreditando em minha coragem de estar lá, sozinha e ao mesmo tempo completa; completa de orgulho de mim mesma.

Após essas três horas que passaram voando, embarquei rumo ao Atacama, ansiosa, com o coração saindo pela boca, e continuei assim quando desci do avião, peguei minhas malas e entrei na van em direção ao hostel.

Eu não acreditava que tudo aquilo existia e, mais do que isso, não acreditava que tinha sido capaz de chegar até ali, que teria histórias sobre a vida, conquistas e derrotas, que poderia olhar para tudo e dizer: “Caraca! Você é demais mesmo! Chegou onde queria!” Esse era meu pensamento.

Na van, estava ansiosa e fui a última a descer. No caminho, para onde quer que eu olhasse, via o vulcão mais respeitado por eles, o Lincancabur, e eu já me sentia filha dele. Eu queria ir e dar um abraço e mil beijos se pudesse e apesar de vê-lo em todos os lados, estava em território boliviano.

Na primeira noite, sentei em restaurante para jantar. Escolhi um que foi indicado por pessoas que já estiveram lá. Imagina, sou paulistana, faço muitas coisas sozinhas nesta cidade caótica, mas entrar em um restaurante em outro pais, a noite e sozinha dá um friozinho na barriga, viu?

Primeiro, o garçom era lindo, digamos, maravilhoso; segundo, eu estava sozinha e por mais que seja algo normal, que muitas mulheres fazem, as pessoas olham para você com aquela cara de “por que você está sozinha?”, “você é maluca?”, “terminou um relacionamento?”. Julgamentos a parte, sentei ao lado de uma mesa com uns 20 homens e degustei meu prato e uma deliciosa cerveja long neck com gosto de vitória. Voltei para meu delicioso e silencioso hostel com a certeza de que tinha feito uma boa escolha. Era um hostel tranquilo, sem barulho e apenas o som do vento e o brilho das estrelas me acompanhavam…

Contar todos os meus passeios e seus detalhes daria um diário de 50 páginas, então serei breve ou, pelo menos, tentarei. Fiquei na cidade e no meu quarto dia fiz um passeio para o Salar do Uyuni. Foram quatro dias e três noites no deserto, compartilhados com alguns desconhecidos, e foi aí que fui tocada pelo espírito de “que delicia estar sozinha”. Sem celular, sem wi-fi, sem muitas comodidades, esses dias foram tão intensos que escreveria sobre eles durante uma vida.

Voltando dessa deliciosa aventura, passei mais uma noite no Atacama e embarquei de volta a Santiago, onde reservei um Airbnb para passar meus últimos quatro dias de emoções. Reservei um apartamento só para mim, queria ter inteiramente a sensação de como seria morar em outro país e me sentir uma local, e assim foi. Meu primeiro dia em Santiago foi uma novena, até mesmo porque a pessoa que escreve este texto estava sem celular com acesso à internet e resolveu, quando chegou em Santiago, ir de metrô até o local da estadia, ou seja, me perdi, mas não tenha medo de se perder, é necessário porque você encontra sempre outros caminhos, e no final, mesmo se perdendo, se dá conta de que o caminho que você fez foi o mais breve.

Cheguei sã e salva e o dono do apartamento, muito gentilmente, deixou um vinho para mim com duas taças. Quando disse que estava sozinha, ele quase caiu para trás. Inconformado, tentou entender, mas fui breve em minha resposta e assim ele se foi. Meu primeiro sentimento em Santiago foi: “Ah, não queria estar aqui! Quero voltar ao Atacama, ver o Lincancabur… tudo isso lembra São Paulo”. Bastou menos de 24 horas para eu estar apaixonada e enamorada por Santiago e não querer mais voltar.

Os quatro dias foram breves. Tive tempo de ir até Valparaiso e Cajon del Maipo e até meu coração foi tocado por um guia chileno simpático e estiloso, que me deu deliciosas dicas sobre Santiaguito e suas gírias, “weon”?

Voltar para o Brasil foi o momento mais difícil. Por mais que eu soubesse que tudo era passageiro, não queria que acabasse e, quando desci em terras paulistas, pensei: “quero voltar, vou ver quanto está a passagem”.

Bem, eu voltei. Na verdade, foram meses para voltar, meu corpo tinha voltado, mas eu mesma, a pessoa que eu conhecia antes de ir e a pessoa que chegou até aqui, não eram mais a mesma, na verdade ainda estou me conhecendo. Viajei mais uma vez sozinha e obtive um prazer sem igual em estar comigo mesma. Não sei se fiquei viciada, e eu amo muitas pessoas que estão a minha volta, mas acredito que essa viagem deu início a um sentimento conhecido como amor próprio.

O resumo de tudo, para você que leu até aqui, é: se permita se amar, vá, tente e esteja em solitude consigo. Por mais que pareça ser difícil, vale a pena.

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Olá, eu sou a Talita! Trabalho como cabeleireira e vejo beleza em muitas coisas da vida, gosto de ler, ver documentários e aprender sobre novas culturas. Sou um tanto espiritualista e sempre vejo as experiências com este olhar de ensinamento e oportunidade de crescimento. Amo minha família e tirar uns sorrisos por aí.

 

Quer contar a sua experiência também? É só me mandar uma mensagem 😉

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