Boa Vista, 04 de outubro de 2018.

Olá!

Hoje acordei um pouco antes do despertador. Tinha o plano de ir para Pacaraima, mas a Laisi, que ia comigo, vai ter uma entrevista às 15h e desistimos de ir, em vez disso fomos até a rodoviária ver como anda a situação dos refugiados por lá.

Então, tomei café e fui para o notebook. Estou com a sensação de não estar aproveitando tão bem a cidade, mas com esse calor, é bem difícil criar coragem para andar por aí.

Fomos para a rodoviária e estava tudo bem calmo por lá. A Laizi me conta várias coisas sobre a situação dos refugiados, que ela escuta nas entrevistas e tal… amanhã, ela vai como voluntária distribuir roupas nos abrigos. Ela me disse que antes dos venezuelanos não tinham pessoas morando nas ruas e isso é uma das razões que faz com que tenha tanta xenofobia por aqui. Tem umas histórias bem incríveis, tipo uma médica que está trabalhando de faxineira e oferece até trabalho em troca de comida ou um engenheiro que trabalhava numa grande empresa que faliu e agora é comerciante aqui…

Almoçamos no SESC Orla com uma vista linda para o Rio Branco. Voltamos para o Hostel. Hoje está calor, mas um pouco menos do que ontem. Então, tomei coragem para escrever mais um pouco.

No fim da tarde, fui ao Porto do Babazinho para atravessar o Rio Branco para a Praia Grande e ver o pôr do sol. Chegando lá, tinham uns barquinhos e perguntei pra um carinha como fazia para atravessar. Ele disse que os barcos que atravessavam não estavam lá. Daí, fui ver se o bar estava aberto para esperar e vi uma família chegando. Como eles pareciam bem confiáveis e estavam com roupas de banho, perguntei se eles iam atravessar e disseram que sim, daí perguntei se eu podia ir com eles. Estavam um pai com duas filhas e um filho e um casal amigo deles com um casal de filhos. Foi muito divertido. Eles até dividiram a cerveja, comida e frutas comigo, inclusive uma fruta que eu nunca tinha comigo chamada biribá que parece uma fruta do conde, mas a textura por dentro é bem diferente, mais gelatinosa.

Não fui com roupa de banho porque o carinha do hostel tinha dito que lá tem muita piranha e eu não queria voltar com um pedaço a menos de dedo do pé. Mas me ensinaram que era só entrar com os pés arrastando, para não pisar em nenhuma arraia e deixar os dedos enterrados, porque aparentemente, as piranhas só mordem os dedos. Então, entrei até onde o shorts permitiu e ficamos lá conversando sobre meu sabático e sobre Boa Vista e Roraima em geral. Foi um fim de tarde muito agradável e conheci pessoas bem legais. Foi incrível.

Na volta, eles até me deram carona até o hostel. Encontrei a Laizi e ela me contou como tinha ido a entrevista e várias coisas sobre a situação dos venezuelanos, como que tem espaço nos abrigos para 5000, mas eles estão em mais de 45 mil na cidade. É tenso saber dessas realidades, né? Eu fico muito tocada, ainda mais nesses tempos de eleições.

Comi uma crepioca e fui fazer a mala para viajar amanhã.

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